É mais fácil ser igual. É simples. Mas quando se decide seguir o coração, ainda que o caminho apresente obstáculos, tudo passa a fazer sentido!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Sobre falar de amor...

 


Para falar de amor, deve-se fechar os olhos para sentir o coração bater mais forte e as pernas tremerem.
Deve-se perder um pouco o senso da razão e do que é certo (ou errado) porque quando há amor, tudo é permitido, tudo é abençoado.
Para falar de amor, é preciso uma dose extra de doçura que supera a dor trazida nos ventos das tempestades vividas. E não esquecer a arte de sorrir para a vida em todos os momentos.
Deve-se ligar para um número específico para ouvir uma voz e inventar outras mil desculpas para voltar a ligar.
Para falar de amor, é preciso ser criança antes de ser adulto e receber a energia que encanta e consegue ver magia em tudo.
Deve-se acreditar em sonhos e anjos e fadas.
E em histórias encantadas.
Porque falar de amor é sentir borboletas no estômago e flores saindo dos olhos que fazem um minuto qualquer se transformar em um momento especial.
Faz a vida valer a pena, contagia, energiza.
Para falar de amor, deve-se entender que seu lugar no mundo depende de onde está o seu coração e ele só pode estar onde o amor estiver.
É sentir as mãos suadas mesmo depois de muitos encontros.
É preciso coragem para deixá-lo entrar e fazer bagunça dentro de nós.
Para falar de amor, deve-se chamar as pessoas e aumentar o tom de voz para que todos possam ouvir e compartilhar.
E começar uma história com começo, meio e sem fim.
Porque falar de amor é acreditar que o eterno existe.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Sobre o agora...

Está tudo no papel não está? Tudo milimetricamente planejado com datas previstas para acontecer. Nós sabemos onde queremos estar aos 30, 35 anos, quais os cargos que queremos acumular, os cursos que devem constar no curriculum e adoramos falar sobre onde estamos quando, por ventura, encontramos algum amigo que não vemos há muito tempo. Nós gostamos de comparações e, de preferência, alcançar a melhor posição nelas. Até que de repente, a vida prepara alguma surpresa e o planejamento precisa ser redesenhado.
Em alguns momentos essas surpresas vêm acompanhadas de frustrações porque vencer significa ganhar valor diante das pessoas, ser aceito, fazer parte. Nós estamos sempre perguntando o que as pessoas fazem antes de sabermos quem são.
E demoramos para nos dar conta de que o relógio continua trabalhando incessantemente e que o dinheiro não consegue parar o tempo, o bem mais precioso. 
Nós queremos realizar coisas no futuro e não repetir os mesmos erros do passado, mas esquecemos tantas vezes de pensar no presente e de curtir o agora.
É no agora que o Sol se põe e dá um espetáculo maravilhoso, é nele que sentimos o gosto gelado do sorvete, o calor do chocolate, a doçura de um sorriso. É no agora que as mãos sentem o toque, no futuro esse toque será apenas lembrança, mas a pele arrepiada acontece num momento, num exato momento. de mãos entrelaçadas e bocas se encontrando.
E tudo aquilo que estava no papel deixa de fazer sentido, as surpresas nem são mais frustrações, são bençãos.
Aprendemos que o futuro acontece por conta própria e que fazer nossa parte é importante, mas é impossível controlá-lo.
E passamos a viver o presente que é a única certeza da vida.
Quero melhorar o inglês, ser promovida, ganhar mais. 
Mas quero viver a vida, antes e acima de tudo isso.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Carta para minha mãe III


Oi mãe.

Estou indo bem, reagindo, vivendo, fazendo minha parte.
Nada é muito fácil sem você. Eu ainda me sinto perdida naquele apartamento e ainda sinto frio na barriga quando abro a porta e parece que você vai estar lá dentro. Às vezes, parece que se eu fechar os olhos, conseguirei ouvir a sua voz e não sei o quê, mas alguma coisa me faz acreditar algumas vezes que seu ligasse para o seu número você poderia atender.
Eu sei que não vai. Mas sabe como são os filhos né? Nós crescemos com essa idéia estúpida de que pais vivem para sempre, fazer o quê?
Todos os dias eu oro por você e envio vibrações de paz e de amor. Eu sei, eu sei e você também sabe que eu choro escondido à noite, longe do meu pai e que eu fico assim fazendo essas brincadeiras que você tanto gostava, mesmo sentindo ainda um buraco no peito.
As coisas por aqui andam quase da mesma forma, os dias estão quentes, a violência continua nas ruas, eu continuo com dificuldade para dormir e meu telefone continua enviando mais mensagens do que recebendo. Mas o blog está mais visitado e eu recebi mais alguns elogios.
Lembra da primeira poesia que eu escrevi mãe? Eu corri até você e quando terminei de ler você disse que estava linda. Era tão pequeninha, com rimas fáceis e óbvias, mas mesmo assim eu ouvi você falar com as tias lá de Santa Catarina que eu já havia começado a escrever poemas. Desde esse dia, sempre li para você tudo que eu escrevia.
Hoje eu leio para a Clara e ela consegue fazer a mesma carinha que você fazia de orgulho.
Ela está cumprindo a promessa de cuidar de mim.
Eu estou cumprindo a minha de cuidar do meu pai. Não tem sido muito fácil vê-lo tão frágil, mas eu aprendi a ser forte e encontrei um equilíbrio para as coisas.
Eu e Sandir estamos um pouco mais unidos. É claro que podemos melhorar, mas estamos nos esforçando. As crianças estão lindas, você precisava ver!
Ainda não consegui mexer no livro, lembra dele? Mas já voltei a escrever alguns textos.
Estou mais corajosa, mais ousada, mais atrevida e mais amorosa. Impossível não aprender sobre amor depois de tudo né?
Tenho mais fé e me sinto mais próxima de Deus.
Sei que um dia vamos nos encontrar de novo, mas quero que saiba que até lá eu vou tentar ser o melhor que puder. E vou vencer.
Prometo também só usar o meu dom em caso de emergência e perdoar mais as pessoas e a mim mesma.
Prometo continuar de pé e fazer mais caridade.
E cuidar de mim para que você continue assim, sendo essa lembrança tão linda que sempre movimentará a minha vida.
Amo você.